Introdução
O mercado brasileiro de franquias
Com cerca de 56,5 mil franquias e 680 marcas diferentes, o mercado brasileiro de franquias está entre os maiores do mundo em termos de unidades criadas, ficando atrás de países como Estados Unidos e Japão. Do total de franquias do país cerca de 90% são de iniciativa nacional, confirmando a vocação empreendedora do brasileiro. Os dados fazem parte do último censo realizado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). O maior apelo das franquias é, sem dúvida, o fato de que o franqueado pode contar com o apoio da empresa franqueadora, aumentando assim suas chances de sucesso. Esta percepção se justifica também pelo fato de a taxa de mortalidade das franquias ser bem menor do que a dos negócios próprios considerando os cinco primeiros anos de vida.
Como funcionam as franquias
O sistema de franquia nada mais é do que uma forma alternativa de distribuição dos produtos e/ou serviços oferecidos por uma determinada empresa, de agora em diante batizada de empresa franqueadora (ou franqueador). De maneira simplificada o sistema de franquia é caracterizado por suas partes:
Franqueador
Trata-se da empresa dona da marca e do sistema que concede a franquia. É responsabilidade do franqueador transferir aos franqueados o padrão/formato que estes devem seguir nas unidades franqueadas. Em outras palavras o franqueador deve explicar ao franqueado como funciona o negócio, desde sua implantação, operação e gestão. Esta transferência de know-how pode ser feita através de treinamento, guias e manuais.
Franqueado
É a pessoa autorizada pelo franqueador a implantar uma unidade franqueada para distribuir seus produtos/serviços, e que é responsável pela instalação, operação e administração da unidade franqueada. É responsabilidade do franqueado implantar, operar e administrar sua unidade franqueada de forma que os padrões estabelecidos pelo franqueador sejam preservados sempre. No sistema de franquia, as unidades franqueadas seguem o mesmo modelo de negócio do que a empresa franqueadora, apesar de poderem atuar em locais distintos sob responsabilidade de outras pessoas (franqueados). Agora que está mais clara a relação entre as duas partes, fica fácil entender que o sucesso de uma franquia depende da capacidade que a rede de unidades franqueadas de replicar o produto ou serviço oferecido pelo franqueador.
Estágio de desenvolvimento das franquias
De marca e produto sem exclusividade
De marca e produto com exclusividade
Custos devem caber no seu bolso
Franquias de "formato" de negócio
Redes inteligentes
Modelos de franquias
Agora que você está mais familiarizado sobre os vários estágios de desenvolvimento de uma franquia, está na hora de entender um pouco mais sobre os diferentes tipos de franquias. Como discutiremos abaixo, as franquias podem ser classificadas em basicamente três modelos distintos: de negócio, de atuação geográfica e de remuneração
De negócio | Neste caso as franquias são classificadas pela forma como o negócio será conduzido, o que por sua vez estabelece a forma de relacionamento entre franqueado e empresa franqueadora. Existem basicamente cinco modalidades de negócio de franquia.
Franquia individual: trata-se da forma mais usual de franquia existente, pois mantém o conceito de franquia. Neste tipo de franquia, o ponto comercial onde a unidade franqueada será instalada já funcionava previamente como ponto comercial, mas não existem restrições quanto ao ramo de atividade do estabelecimento anteriormente existente no local.
Franquia de conversão: neste tipo de franquia um empresário independente que atua na mesma área da empresa franqueadora transfere para esta a tecnologia de seu antigo negócio. Por sua vez, a empresa franqueadora adapta os sucessos e fracassos do empresário individual são adaptados às normas e regras da empresa franqueadora, o que acaba qualificando em uma troca de experiências entre as duas partes. De forma a minimizar os gastos com investimento e instalação, a empresa franqueadora aceita com que a nova unidade franqueada seja instalada no ponto comercial já existente, o que também lhe permite captar parte da antiga clientela.
Franquia combinada: trata-se dos casos em que em um mesmo ponto comercial um único franqueado combina várias franquias diferentes. Neste caso as franquias combinadas operam de forma semelhante e oferecem uma linha complementar de produtos e/ou serviços. Através da combinação de várias redes de franquia o franqueado pretende oferecer serviços/produtos integrados, mas para tanto é preciso que as várias empresas franqueadoras estejam de acordo com esta forma de operação de suas unidades franqueadas. Um exemplo deste tipo de situação inclui os pontos comerciais onde franquias de serviços como lavanderia, sapataria e costura operam em um mesmo ponto comercial.
Franquia Shop in Shop: trata-se de situações em que um empresário individual, que já tem seu próprio estabelecimento comercial, decide incorporar uma franquia de outro ramo de negócios. Desta forma, a unidade franqueada funciona dentro do estabelecimento comercial já existente.
Franquia de mini-unidades: trata-se de uma modalidade da franquia individual, em que o ponto comercial é versátil, o que inclui franquias que operam em uma área reduzida, que pode incluir uma pequena loja, quiosque, carrinho etc.
Posição geográfica | Neste caso as franquias são classificadas pela forma com que as unidades franqueadas irão ser instaladas em termos geográficos. Existem basicamente seis modalidades de negócio de franquia.
Franquia unitária: neste caso a empresa franqueadora concede ao franqueado o direito e implantação e operação de uma unidade franqueada, que deve estar instalada em um local específico e poderá operar com exclusividade. Se quiser combinar outras franquias no mesmo ponto comercial o franqueado terá que obter aprovação da empresa franqueada.
Franquia múltipla: nesta categoria de franquia, depois de ter atingido o crescimento limite do seu mercado de atuação, o franqueado opta por montar uma rede local ou regional, que inclui outras franquias unitárias. De forma e evitar a perda de unidade do negócio e da proximidade com sua clientela, as partes da rede mantém um controle rigoroso sobre a multiplicação da franquia.
Franquia regional: trata-se dos casos em que a empresa franqueadora concede ao franqueado a possibilidade de atuar em uma determinada área geográfica. Além das taxas normalmente cobradas do franqueado, a empresa franqueadora também exige o pagamento de uma taxa de franquia regional, que é paga à vista na primeira etapa, sendo que são efetuados pagamentos sucessivos, a cada unidade de franquia aberta. De sua parte, o franqueado pode fazer parcerias, através de contratos individuais, na região em que lhe foi permitido atuar.
Franquia de desenvolvimento de área: neste caso o franqueado tem liberdade de atuação em uma determinada área geográfica, sendo que ele pode optar pela abertura de unidades próprias ou pelo desenvolvimento de parcerias na sua área de atuação. Apesar disto, quem assina os contratos individuais com os demais franqueados é a empresa franqueadora e não o franqueado intermediário, sendo proibida a sub-franquia.
Por sua vez, os franqueados do franqueado intermediário têm liberdade de desenvolver e multiplicar suas respectivas áreas. De forma semelhante ao que acontece na franquia regional, o franqueado detentor de uma área de atuação recebe, dos demais franqueados, taxas pelas franquias que estão desenvolvendo em sua área de atuação.
Franquia master (ou Master Franchising): neste tipo de franquia o franqueado está limitado a operar em uma determinada região geográfica, mas tem direito à subfranquias e poderá criar outras unidades individuais. Um exemplo deste tipo de franquia são as franquias internacionais que estão sujeitas à legislações e adaptações culturais do país onde se expande, daí a importância do franqueado master ter direito à sub-franquia.
Franquia de representação: neste caso a empresa franqueadora não cede os direitos geográficos de atuação, assim como não estrutura outras filiais para suporte. Fica a cargo do franqueado responsabilizar-se por determinados serviços, treinamentos, inspeção, publicidade, vendas de franquia etc.
Remuneração | Neste caso as franquias são agrupadas em três categorias de acordo com a forma de remuneração da empresa franqueadora, sendo que esta remuneração reflete a forma com que o franqueado irá atuar e se relacionar com a empresa franqueadora.
Franquia de distribuição: neste tipo de franquia o franqueado remunera a empresa franqueadora pelos produtos ou serviços por ele distribuídos, portanto, não são cobrados royalties ou taxa inicial de franquia. De sua parte o franqueado deve ficar atento, pois muitas vezes este tipo de estrutura de remuneração acaba diminuindo artificialmente os custos da franquia, que depois acabam sendo mais do que compensados pelo fato de que o franqueado gasta mais com taxas e impostos devido ao fato de registrar um faturamento mais elevado. Nestes casos, o franqueado deve analisar não apenas os custos da franquia, mas sim a rentabilidade do negócio depois do pagamento de taxas e impostos sobre faturamento. Franquia pura: mais comum nos setores de alimentos e serviços, onde a empresa franqueadora oferece toda a tecnologia necessária para a instalação do negócio e, em troca recebe royalties e taxas de franquia sobre a rentabilidade da unidade franqueada. Vale ressaltar, contudo, que a empresa franqueadora não é vista como fornecedora e, portanto, não tem direito a qualquer tipo de remuneração sobre o fornecimento de terceiros. Franquia mista: trata-se da modalidade de franquia que mais cresce no mercado. Como a empresa franqueadora também é vista como fornecedora, ficando o franqueado responsável apenas pela distribuição, recebe do franqueado taxa de fornecimento, royalties e franquia. Exatamente por isto as funções de distribuição estão bem definidas e são separadas das receitas de administração da rede.
Custos de abertura de franquia
Taxa de franquia (ou taxa inicial) | Também chamada de franchise fee, é o valor pago pelo franqueado uma única vez quando adere à rede (e, em muitos casos, também por ocasião da renovação de seu contrato de franquia). Essa taxa remunera o acesso inicial ao conhecimento desenvolvido e à experiência consolidada pelo franqueador, além do "privilégio" de passar (ou continuar) a integrar a rede de franquias que operam sob a marca do franqueador. Como regra geral, essa taxa cobre os custos com os quais o franqueador precisa arcar para colocar um franqueado em operação, como: recrutamento, seleção e treinamento do franqueado (em alguns casos também de sua equipe), confecção e entrega dos manuais de operação da franquia, apoio ao franqueado na escolha do "ponto" comercial onde irá instalar sua franquia, orientação quanto aos equipamentos, estoques, insumos e outros bens e serviços que o franqueado deverá adquirir e outros benefícios mais.
Taxa de royalties
Paga, em geral, mensalmente, essa taxa remunera o acesso continuado, por parte de cada franqueado, aos benefícios, que lhe resultam do fato de integrar uma rede de negócios padronizados, e aos serviços oferecidos pelo franqueador.
Exemplos de benefícios que um franqueado pode esperar como conseqüência de integrar uma rede de franquias bem estruturada: compras (ou negociações) centralizadas, treinamento ou reciclagens constantes, orientação em questões comuns a toda a rede e "networking", ou seja, a possibilidade de estar constantemente trocando idéias e experiências com seus pares a respeito de todos os aspectos da operação e gestão de seus negócios. Normalmente, os royalties são calculados com base na aplicação de um certo percentual sobre o faturamento bruto mensal de cada franquia. Alguns franqueadores, para efeito de cobrança dos royalties, deduzem do montante bruto apurado na operação da franquia os impostos diretos efetivamente devidos ou pagos pelo franqueado em função desse faturamento, calculando a taxa sobre o que se convencionou chamar de faturamento líquido. Há, ainda, franqueadores que adotam outros critérios para a definição da taxa de royalties.
Taxa de Publicidade e Propaganda
É o valor pago (em geral mensalmente) pelos franqueados (normalmente com base no respectivo faturamento, bruto ou líquido, conforme o caso, e de acordo com o mesmo critério para a cobrança da taxa de royalties) e destinado à criação e manutenção de um Fundo Cooperativo de Propaganda e Marketing da Rede. Geralmente, as unidades próprias, operadas pelo franqueador, contribuem para o Fundo, pagando a mesma taxa também paga pelas franquias. Esse Fundo possibilita desenvolver, de forma cooperativada, meios para divulgar os produtos ou serviços comercializados pelas franquias, sendo um dos grandes benefícios proporcionados pelo fato de se pertencer a uma rede bem estruturada.
Vantagens e desvantagens das franquias